Já me tinha apercebido do quanto estimava os meus coleguinhas Erasmus e de como eu própria tinha acabado por ser Erasmus dentro do meu próprio país. Já tinha percebido que nunca tinha tido tantas nacionalidades à minha volta. Brasil, Alemanha, Paquistão, Índia, Etiópia, Cazaquistão, Tanzânia, China, França, Espanha, Inglaterra, Bélgica, Lituânia, México, Turquia, Polónia, Grécia. Depois de parte ter rumado para a Argentina, ontem foi a despedida do resto. Depois do tenebroso exame sentámo-nos nas Yellow Chairs, como eles gostam de dizer, a comemorar. Saí mais cedo e, como não gosto muito de despedidas, deixei-lhe um Goodbye and see you soon. De todos eles houve um em particular que acabou por me ficar mais próximo. Provavelmente pela mesma força e gosto pelo trabalho. O Jason é americano. Não vem de New York City nem passa a vida a comer hamburguers. É alto e quando aparece de barba parece muito muito mais velho. Já foi vegetariano e agora só come carne de uma forma sustentável. O Jason vinha sempre para a faculdade de bicicleta com uma grande (e já quase sem cor) mala vermelha onde tinha tudo o que precisava para o resto do dia. Foi realmente das melhores pessoas com quem tive o prazer de trabalhar e ontem deixou-me um Congratulations, Carla quando os deixei na esplanada. Hoje, enquanto esperava ansiosa pela resposta dos meus co-orientadores italianos que estão na África do Sul (e eu serei sempre meio-Erasmus) vi que o Jason me tinha deixado uma mensagem. Foi nesse momento, em tão poucas palavras que revi tudo o que tinha passado e que tinha realmente, feito um amigo.
“Hey Carla,
I have something that I want to give you for watching my plants, being a great lab partner, study buddy and just being generally awesome. I'm leaving tomorrow afternoon so will you be around Faro or Gambelas sometime tomorrow morning? If not, can I hide it somewhere in Faro for you to pickup later?”
Desejo-te sinceramente, a melhor sorte do Mundo Jason. E sei que para o ano nos havemos de cruzar.
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