Dentre as imensas coisas que aprecio na vida, talvez por a fase adulta se andar a apoderar de mim há imenso tempo, há coisas que não consigo tolerar. Pode ser pelo facto de tudo se repetir dia após dia, e de já começar a atingir o limite (ainda que digam que o céu é o limite, e nós estejamos bem longe disso). Desde cedo me habituei a ter de lutar pelo que queria, a abdicar de festas, a trabalhar enquanto todos os outros aproveitam a praia no verão. Desde bem cedo (e aqui os Escuteiros tiveram uma grande importância) me tornei responsável por mim e pelos outros, aprendi que as coisas têm de ser feitas atempadamente e dentro dos prazos. Principalmente, percebi que é mais fácil reunir com crianças de 8 anos, do que de 18 - e que falta que os meus Lobitos me fazem. A verdade é que já se passaram 4 anos e muitas vezes a paciência chega ao fim. Gosto do facto de não viver mesmo no meio da cidade e, ao mesmo tempo, ter tudo o que é necessário a 5 minutos de distância. Gosto de me rodear de amigos mas, e não desfazendo, gosto muito de ter o meu espaço. Mas a vida em grupo traz sempre consigo coisas que não consigo compreender - muito provavelmente por metade da minha vida ter sido apenas ao lado da minha mãe. E sim, são coisas triviais, mas odeio quando a loiça se acumula por semanas até tudo ficar grudado nos pratos. E odeio quando, depois de lavados os talheres, os colocam com as pontas das facas para cima - eu gostava sinceramente de saber quem é que anda mortinha por espetar uma faca na mão aquando da busca de uma colher. A verdade é que ali todas encaramos a vida de uma forma completamente diferente, o que leva a diferentes comportamentos - creio eu. Gosto dos poucos momentos em que chego à tranquilidade da casa e a encontro assim, em silêncio, onde o meu cérebro pode finalmente descansar. Também não compreendo bem as frases monossilábicas em tom maldisposto no início de um lindo dia que se juntam a gritos de felicidade e choros incontroláveis. A sério que tenho dificuldade em compreender, principalmente por isto já fazer parte da rotina. Talvez tudo se tenha agravado pela quantidade de trabalho que este ano tenho tido. Mas é realmente saboroso chegar aqui e ver que todas as cadeiras estão feitas - e com boas notas. Que a tese está encaminhada - e com bons orientadores. Que apesar do trabalho conheci novas pessoas - que felizmente vou rever. E daqui a um ano quando estiver em pânico para entregar a tese, acredito que tudo isto valeu a pena. E todo este tempo tive alguém a meu lado que não me deixou desistir por muito difícil que tenha sido. Talvez um dia esteja eu a repetir para não deixares as meias espalhadas pelo chão, mas viver contigo será uma aventura para o resto da vida.
1 Passos:
Olha eu podia viver contigo! Eu não acumulo tanta loiça e ponho as pontas das facas p'ra baixo!
Um dia eu vou visitar a vossa casa. E vamos ter jantares de família todos juntos.
Gosto muito de ti. Já passaste alguns anos, tu consegues mais um tempinho, falta pouco*
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