Hoje queria escrever mas as palavras não me saem. Talvez seja da solidão que encontro embebida quando me deixas, ou simplesmente pelo facto de não conseguir reatar amizades passadas. Agora que a distância se instalou não sinto que a deva contrariar e instalar-me de malas e bagagens num mundo que (já) não é meu. Em pessoas que já não são minhas e que não sinto como minhas. Talvez seja de família esta incapacidade de lidar com pessoas quando o tempo já fez das suas. Mas, ainda assim, dá que pensar eu ter quebrado todas as barreiras e ter decidido acabar com o silêncio que me deixava a mim e à M. afastadas, a ler secretamente o que uma e outra escreviam. Se calhar um dia vou (voltar a) sentir a falta de quem durante alguns anos me acompanhou diariamente. E nessa altura vou ligar ou mandar uma mensagem ou escrever uma carta. (Uma carta estou eu a dever-te a ti M. e quero mandá-la antes que venhas embora desse país estrangeiro, para que a resposta te devolva o sabor de Portugal.) Ainda por outro lado não consigo esquecer nunca a minha J. Aquela que me deu a mão em tempos dos quais já eu não tenho memória. Dos 4 anos, dos 5... Que se estenderam até agora em que lhe digo que lhe sinto a falta. Agora que a vejo uma vez por ano, durante escassos minutos na rua movimentada. E o meu P. - deixei P. porque PS. poderia confundir-se com partidos políticos. O meu P. que ainda hoje me dói o coração pela palavras que deixámos de dizer quando eu rumei ao Algarve e ele se ficou pela nossa terra de cheiro a mar. E as palavras que não existiram mais, mesmo quando te mudaste para a minha (nova) cidade. Sinto-me mais particular nas escolhas. Mais solitária, mas mais agarradas às poucas pessoas que me enchem o coração.
Talvez seja este o meu fado. Gente que fica na história da história da gente.
2 Passos:
e o importante talvez nem seja se as pessoas ficam muito ou pouco tempo, mas a força do que deixam em ti quando partem. Há coisas que nos são irrecuperáveis, a distância é uma delas, vai-nos apagando sempre aos bocadinhos, é vil, e deixa-nos vazios (acredita, estou a passar por essa sensação), mas recordar todos os momentos, todos os sorrisos, toda a alegria, sem dúvida preencherá o bocado que falta, mesmo que seja sempre maior. às vezes não é pela distância que se deixa de gostar, deixa-se só de se dizer que gosta, por medo talveZ? talvez. mas eu nunca deixei de te ter perto, mesmo em todo o tempo que não falei contigo. E fiquei contentíssima com o "reencontro" - preencheste uma parte que estava há muito abandonada, e isso foi tão bom. *
E da minha história nunca hás-de sair, essa é a parte boa, independentemente do resto.
A distância traz disto, a saudade. E mesmo que não sejam muitas as vezes que nos encontramos, ou que as conversas ao telefone já não sejam tantas, sei que quando o encontro voltar a acontecer vai ser o mesmo, como se ontem nos tivéssemos visto.
Deu-me a saudade, por isso decidi passar por aqui hoje. Pelos vistos, fiz bem.
E usando as palavras da M., sem dúvida que deixas uma grande força em mim quando partes e mesmo estando longe.
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